Lúcia Menezes lança o melhor álbum com suingue, romantismo e até Chico

Ao enfrentar com valentia o duelo proposto por Viola e sanfona, composição inédita de João Lyra e Paulo César Pinheiro, Lúcia Menezes explicita a origem nordestina logo na segunda das 14 músicas do sexto álbum da artista, Lúcia, em sintonia com a pegada arretada do tema. Contudo, a cantora cearense nascida em Itapipoca, cidade situada ao norte de Fortaleza (CE), também canta o amor de tonalidades universais. Sob tal prisma, a regravação do dolente samba Desencontro é um dos destaques do disco produzido por José Milton com apropriados arranjos criados, em maioria, pelo violonista João Lyra e pelo pianista Cristóvão Bastos. É que o compositor, autor do samba lançado há 49 anos na voz do autor no álbum Chico Buarque de Hollanda volume 3 (1968), faz dueto com Lúcia, dando relevância à faixa (inclusive documental, por se tratar da primeira vez que Chico regrava em dueto com uma mulher o samba que já registrou com os cantores Toquinho e Silvio César em 1968 e 1992).

Na harmoniosa gravação feita para o álbum Lúcia, Desencontro tem arranjo e piano do maestro Cristóvão Bastos, criador também do arranjo em ritmo de ciranda que põe Sonho de marinheiro (João Donato e Fausto Nilo, 2002) em águas límpidas das quais emerge a voz da cantora Miúcha, outra convidada do disco. Dentro do romantismo melancólico de tom universal que pauta algumas músicas, o disco de Lúcia Menezes também destaca Esperança vã, toada feita para piano por Marcello Tupynambá, pseudônimo do compositor paulista Fernando Álvares Lobo (1889 – 1953), reverenciado no universo da música erudita pela obra que criou na primeira metade do século XX, mas comumente esquecido fora desse mundo.

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